quinta-feira, 14 de abril de 2011

QUALIDADE MICROBIANA E CONTAGEM DE CÉLULAS SOMÁTICAS

Contagens bacterianas e de células somáticas são métodos de referência e comumente são utilizados na avaliação da qualidade do leite cru.

A qualidade microbiana é medida por meio de contagens padrão em placa que é um método de investigação de problemas de qualidade do leite.

Apesar das bactérias encontradas no leite cru serem destruídas pela pasteurização, a monitoração da contagem bacterina total (CBT) é muito importante para garantir a qualidade do produto oferecido ao consumidor e para consolidar a confiança deste. O leite sem resíduos de antibióticos e com baixas contagens bacterianas e de células somáticas (CCS) garantem produtos de melhor qualidade e com prazo de validade maior.


As vacas com baixa contagem de células somáticas têm uma vida produtiva mais longa. O leite com CCS elevada contém menos componentes desejáveis, como açúcar, proteína e gordura, e mais componentes indesejáveis como enzimas que atacam seus componentes. Quando um leite com elevada CCS é usado para a fabricação de queijo, o rendimento é menor e a qualidade do produto final é inferior, podendo causar alterações em seu sabor e textura.

Práticas de ordenha como o uso de desacopladores manuais, a defecação na sala de ordenha e as falhas em empregar uma rotina completa de ordenha, estão associadas ao aumento das contagens bacterianas.

A contagem padrão em placas (CPP) ou CBT indica as condições higiênicas da fazenda, o estado de saúde do rebanho, a limpeza do equipamento de ordenha e a temperatura de estocagem do leite.

A CBT é um ponto crítico no controle da mastite. Produtores mais rigorosos estabelecem metas menores que 5.000 UFC/ml. Já uma contagem maior que 10.000 UFC/ml é um indicativo de problemas com a qualidade do leite. A CBT alta é geralmente causada por erros no resfriamento do leite ou no equipamento de ordenha. Não é comum a mastite contribuir para a CBT, mas vacas acometidas por mastite podem, ocasionalmente, liberar grandes quantidades de microrganismos no leite. Geralmente, isso está associado a infecções subclínicas causadas por estreptococos, principalmente o S. agalactiae.

As fontes de coliformes no leite do tanque são os úberes das vacas ou a falta de higiene durante os procedimentos da ordenha. A contagem de coliformes é um indicativo da eficiência dos procedimentos de preparação da vaca durante a ordenha e da limpeza do ambiente da vaca. Eles também podem permanecer nas películas residuais do equipamento de ordenha.

A influência da mastite sobre a contagem total de bactérias no leite depende principalmente do tipo do patógeno e do estágio da infecção.

Tendo, a mastite várias causas torna-se um grande desafio identificá-las e,consequentemente, desenvolver e implementar programas de controle.

Fonte:

PHILPOT, W. Nelson; NICKERSON, Stephen C. Vencendo a luta contra a mastite. Westfalia, 2002. Capítulo 24.

RUEGG, Pamela L. Uso prático da contagem de células somáticas na fazenda. Star Milk, 2007.

RUEGG, Pamela L.; REINEMANN, Doug; HOHMANN, Kathryn. Impacto do manejo de ordenha na qualidade microbiana do leite. Novos Enfoques, 2008.

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segunda-feira, 7 de março de 2011


Bem estar animal


Atualmente o conceito de bem estar animal atende as cinco liberdades dos animais teoria criada pelo professor John Webster e divulgada pelo Farm Animal Welfare Council (FAWC): ele deve ser livre de fome e de sede; livre de desconforto; livre de dor, lesões ou doença; livre para expressar os seus comportamentos normais; livre de medo e aflição.
Na foto acima evidenciamos um ¨coçador¨ e existem muitas outras ferramentas para propiciar bem estar e conforto aos animais, mas nada substitui o homem e seu cuidado.
Um ambiente tranquilo sem agitação, gritos, ruídos e movimentos bruscos é conhecido como ideal para melhorar a descida do leite e consequentemente uma melhor produção. Isto não é novidade para nenhum produtor ou técnico do setor, mas parece que este conceito por vezes é esquecido.
Continuo batendo na tecla de que pequenas atitudes podem melhorar em muito a eficiência na produção e a atenção ao bem estar animal é uma das principais, pois um animal saudável, num anbiente saudável propicia lucro.
E como entender o bem estar?? um animal atinge o seu bem-estar ao crescer e desenvolver-se normalmente, reproduzir-se, ter as funções fisiológicas e comportamentais normais, ter uma longa longevidade. Alguns autores acreditam que os animais sentem o sofrimento, no entanto como é um parâmetro difícil de ser avaliado, outros atribuem pouca importância ao que um animal sente, só são preocupantes quando os sistemas biológicos são afetados em termos de sobrevivência ou de reprodução. Uma outra vertente defende ambas as perspectivas, no entanto coloca as medidas de funcionamento biológico acima das comportamentais caracterizando os animais como sistemas biológicos.
Fisiologicamente, os animais são comumente avaliados pelos sinais de stress como as endorfinas, corticosteróides, batimento cardíaco, entre outros. Porém há limitações, uma vez que fatores genéticos e/ou ambientais podem produzir diferentes respostas físicas.
Na produção leiteira, nada substitui a observação e o bom senso.....mas devemos nos ater a estes conceitos.
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quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

QUALIDADE DO LEITE

Neste ano de 2011, a apartir de junho com exceção das regiões norte e nordeste, o Brasil viverá mais um desafio quando se trata da qualidade do leite.
A contagem de células somáticas CCS e contagem bacteriana total CBT terá índices iguais aos da comunidade européia, que já trabalha com estes parâmetros de qualidade a alguns anos, e em 2012 o desafio será nacional. Veja tabela abaixo.
Estes parâmetros estão na IN 51, nossa velha amiga, e pelos dados do IV Congresso Brasileiro de Qualidade do Leite, entre 30 e 40% das amostras analisadas em 2009 e 2010, não contemplavam a pelo menos um dos critérios acima. E agora?? esta interrogação envolve a indústria, o produtor, a remuneração pela qualidade, o treinamento de mão de obra, a fiscalização entre outras tantas.
A legislação não resolve o problema da qualidade do leite, ela norteia, indica critérios, mas a adequação por parte de toda a cadeia produtiva depende da interação de todos os participantes enxergarem vantagens para a sua concretização.
Fica aqui o lembrete.. o que estamos fazendo ??qual nosso envolvimento??

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segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Qualidade do leite


Qualidade segundo o dicionário Aurélio é a propriedade, atributo ou condição à alguma coisa que lhe confere determinada natureza, superioridade ou excelência.
A qualidade do leite é definida por padrões de composição química, características físico-químicas e higiene. A presença e os teores de proteína, gordura, lactose, sais minerais e vitaminas determinam a qualidade da composição, que, por sua vez, é influenciada pela alimentação, manejo, genética e raça do animal.
Fatores ligados a cada animal, como o período de lactação, o escore
corporal ou situações de estresse também são importantes quanto a qualidade.
A contagem de células somáticas (CCS) tem sido utilizada como importante ferramenta para o monitoramento da higidez da glândula mamária e para a qualidade do leite. Quando realizada em tanque de resfriamento nas propriedades, tem a função principal de indicar a detecção de mastite subclínica no rebanho, indicar perdas econômicas provocadas pela mastite e indicar a qualidade do leite.
No Brasil depois da IN -51, instituída pelo MAPA - Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento em 2002, a CCS terá como classificação nos estados do Nordeste, de 07/2010 até 07/2012, a contagem de no máximo 750.000 céls/mL e depois de 07/2012 será de 400.000 céls/mL, realizadas em análises mensais.
Sabemos que além da CCS a CBT- contagem bacteriana total, os níveis máximos de resíduos a proteína e a gordura fazem parte da qualidade do leite. Assim entendemos que a qualidade do leite é a adequação ao seu uso regulamentado levando em conta a segurança, a higiene, a saúde da vaca e a sua composição nutricional.
E por quê devemos nos preocupar com a qualidade??
Além da garantia de um produto saudável a qualidade proporciona maior rentabilidade na atividade leiteira, pois empresas geralmente pagam mais por qualidade devido ao melhor rendimento industrial, cumprimento da legislação e sustentabilidade da atividade, quando nos preocupamos com a qualidade estamos nos preocupando com o consumidor quem na realidade remunera toda a cadeia produtiva.
A preocupação com a qualidade e o bem-estar animal já não é algo recente, nos países industrializados, estes requisitos já estão implantados á algum tempo não só por força de regulamentação mas principalmente por consciência da população.
Devemos ter a percepção de tudo o que envolve a qualidade do leite e como melhorar constantemente esta produção, verificarmos os gargalhos dentro e fora da propriedade e assim garantir a sustentabilidade da atividade em pleno século 21.

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quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Mercado lo leite no Brasil e no mundo


Segundo dados da FAO o Brasil detém o segundo maior rebanho bovino leiteiro do mundo, mas em produção somos o sexto, no ranking da produtividade estamos na décima nona posição e nossa presença no mercado global é de apenas 3%.
O consumo global de leite em 2008 foi da ordem de 654 bilhões de litros de leite e se nada for feito, segundo as previsões, em 2014 com uma população estimada em 7,7 bilhões de habitantes (com novos consumidores oriundos dos países emergentes), teremos um déficit de 34 bilhões de litros de leite.
No Brasil a previsão é que até 2017 ocorra um aumento de 19% no consumo per capta de leite. Nosso consumo ainda é baixo quando comparado com outros países, temos um consumo per capta de 134 litros/ano, enquanto que nos EUA 276 litros/ano, Nova Zelândia 890 litros/ano, por outro lado a Índia tem muito a crescer neste mercado com 36 litros/ano, a China com 22 litros/ano.
Atualmente quem mais consome leite, segundo ainda levantamento da FAO, são os países do leste europeu com crescimento de consumo na ordem de 5% ao ano nos últimos sete anos.
Com o aumento do poder aquisitivo dos países emergentes se prevê maior consumo de leite e derivados lácteos.
Neste cenário o Brasil é apontado como uma das melhores opções para suprir esta demanda de leite, temos rebanho e temos custo baixo quando comparado à outros países produtores.
Para atender este mercado é necessário produção, produtividade, infraestrutura e qualidade.
Em relação a produção no período de 1996 a 2005 houve um aumento de 32%, passando de 19,1 para 25,3 bilhões de litros de leite /ano, mas ainda temos muito o que crescer, e em relação a qualidade precisamos garantir uma produção com higiene, para isto necessitamos de mão de obra capacitada e controle de resíduos dentro dos limites tolerados.
Acreditamos que por estes aspectos, o produtor brasileiro tem muito a vislumbrar e se organizar como profissional do ramo, um primeiro passo seria investir em melhorar a qualidade do leite, que com baixo custo se observa ganhos imediatos na produção.
Fica aí uma sugestão e, para todos um feliz 2011, de planejamento e trabalho pelo frente!!
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terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Uso de ionóforos

A utilização de ionóforos está cada vez mais consolidada entre os produtores de carne e leite. Os ionóforos interferem com o transporte de íons através das membranas celulares, criando assim a perda de energia nas células bacterianas, resultando na morte de bactérias, entre alguns podemos citar a monensina, que
é um poliéter carboxílico ionóforo produzido por cinnamonensis Streptomyces (Haney e Hoehn, 1967) e é fornecido para bovinos por via oral como um sal de sódio.
A monensina inibe seletivamente bactérias gran-positivas, devido a diferenças na estrutura da parede celular das bactérias. Em um estudo de meta-análise (ferramenta usada para resumir os efeitos dos tratamentos em todos os estudos e os fatores que explicam potencial heterogeneidade da resposta), observou-se efeitos no metabolismo e na produção, são eles:
•Efeito no metabolismo: verificou-se o efeito da monensina nas concentrações sanguíneas de beta-hidroxibutirato (BHBA), acetoacetato, ácidos graxos não esterificados (AGNE) reduzindo-as, enquanto que a glicose e uréia aumentaram.
•Efeito na produção: diminuição da ingestão de matéria seca, aumento da produção de leite e a eficiência da produção de leite, diminuiu a porcentagem de gordura do leite mas não afetou a produção de gordura do leite, , aumentou o escore da condição corporal o ganho de peso e perfil de ácidos graxos do leite.
Assim conclui-se que o uso da monensina em vacas em lactação reduz as concentrações de BHBA, acetoacetado e AGNE, aumenta a glicose e concentração de uréia, gerando benefício no metabolismos energético sendo importante sua administração pré-parto, produz aumento no rendimento da produção de leite, diminui a ingestão de matéria seca, discreto aumento no escore corporal e ganho de peso (dependente da dose e período de lactação).
Dietas á base de pastagem resultaram em melhores efeitos na produção.
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quarta-feira, 8 de dezembro de 2010



Herpesvirus bovino - BoHV

Os Herpesvírus bovinos tipo 1 (BoHV-1) e o tipo 5 (BoHV-5) são importantes patógenos bovinos, e a infecção pelo BoHV-1 pode causar rinotraqueíte infecciosa bovina (IBR),
vulvovaginite pustular infecciosa (IPV) e balanopostite pustular infecciosa bovina (IPB), além de conjuntivite e doença sistêmica do recém nascido.
É uma doença infectocontagiosa provocada por um vírus da família Herpesviridae, subfamília Alphaherpesvirinae, gênero Varicellovírus dividida em subtipos: BoHV-1 (BoHV1.1; BoHV1.2a e b) BoHV-2; BoHV-5.
Apresenta distribuição mundial, morbidade variável e mortalidade alta, não tem caráter sazonal, os hospedeiros são entre outros, os mamíferos biungulados, e o bovino é o principal reservatório e fonte de infecção do vírus (que não apresenta predisposição por sexo , raça ou idade), o período de incubação varia de 02 a 06 dias e é transmitido por via horizontal e vertical.
As principais portas de entrada do vírus são as superfícies da mucosa do trato respiratório e genital.
A transmissão é geralmente associada ao contato intimo com estas superfícies e o vírus se propaga por aérossóis e secreções corpóreas.
O Herpesvírus tem sinais clínicos sistêmicos, porém vamos nos ater aos sinais reprodutivos.
A doença é caracterizada por um estágio de latência onde o vírus permanece silencioso nas células ganglionares sensoriais dos animais infectados, em condições de imunossupresão ocorrem a reativação do vírus ocasionando os sinais clínicos que se caracterizam por aborto, retenção de placenta, infertilidade temporária, endometrite, vulvovaginite, balanopostite com micção frequente.
Os métodos de diagnóstico se faz com exames laboratoriais pelo isolamento do agente -os mais sensíveis são ELISA e PCR; o exame sorológico é indicado para rotina na detecção de anticorpos do vírus, este deve ser refrigerado e constar de 02 amostras com intervalos de 14 a 21 dias para demonstrar soroconversão .Todo o material para diagnóstico deve ser coletado assim que o surto suspeito for detectado, após a coleta, o material deve se mantido refrigerado, não congelado, e enviado ao laboratório o mais rápido possível. Nos casos de rinotraqueítre, conjuntivite e forma genital suabes com exudato das lesões devem ser remetidos ao laboratório dentro de solução salina e antibiótico. Nos casos de aborto enviar placenta e feto, ou pulmão, fígado, abomaso e rim ao laboratório.
Diagnóstico diferencial para leptospirose e brucelose na forma reprodutiva.
O controle e a prevenção se faz com o exame periódicos dos animais (touros) e eliminação dos positivos. Vacinação para controle, reduzindo a incidência da doença e minimizando os sinais clínicos.
O tratamento poderá ser realizado com antibioticoterapia.
Os prejuízos econômicos são principalmente o aborto, infertilidade temporária, perda de peso e queda na produção de leite.
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